Loading...
Medos2018-10-01T12:20:54+00:00
A maioria das pessoas que chega à Europa está a fugir daquilo que considera uma “morte certa”. Os refugiados são as principais vítimas do terrorismo. Os terroristas tornam a vida destas pessoas num enorme “pesadelo”. Matam membros da sua família, amigos, colegas, destroem-lhes as suas casas, as suas cidades… muitas vezes, a única solução é fugir para sobreviverem.

Dizer que os refugiados são terroristas é o mesmo que dizer que uma vítima de violação é culpada ou que as crianças vítimas de maus tratos são culpadas…

Podem vir terroristas?

Vivemos num tempo em que, por dia, voam 4.5 milhões de pessoas. É o tempo da globalização. Cada vez que alguém se move, há riscos – de saúde ou de segurança – com que fomos aprendendo a lidar. Mas os riscos associados à mobilidade humana podem ser minimizados. Para isso, temos serviços de segurança e de informações, temos tecnologia sofisticada e temos mecanismos de monitorização. Os países da União Europeia cooperam em questões de segurança e farão o seu trabalho.

Não se pode garantir nunca, com certeza absoluta, que não irá acontecer um atentado nos próximos tempos. No entanto, há que referir que, a esmagadora maioria dos atentados ocorridos na Europa desde 2004, foram cometidos por europeus e não por pessoas de outros continentes. É também importante sublinhar que tem havido um trabalho de intensa coordenação entre as fontes policiais dos diferentes países comunitários – em Portugal a cargo do Serviço de Estrangeiro e Fronteiras (SEF).

Finalmente, os riscos reais, que surgiriam por termos recusado o acolhimento, seriam incomparavelmente superiores. Ofereceríamos aos terroristas e aos extremistas o seu único objetivo: fazer com que deixemos de ser quem somos e nos transformemos numa realidade monstruosa. Recusar o acolhimento de refugiados que tudo perderam, por causa da existência de supostos riscos, constituiria um golpe fatal na nossa civilização humanista. Acolher é a resposta, uma resposta que transforma as vidas de quem é acolhido e de quem acolhe.

Entre 2016 e 2018, os países que registaram o maior número de vítimas do terrorismo foi o Iraque, depois o Afeganistão e a Somália. Como é possível ver no mapa, a Europa está longe de ser a região mais atingida, como muitas vezes os meios de comunicação social nos fazem pensar…

Em 2016 deram-se 1.492 ataques terroristas no mundo com 14.842 mortes

Em 2017 deram-se 1.374 ataques terroristas no mundo com 8.354 mortes

Em 2018 (15/07/2018) deram-se 698 ataques terroristas no mundo com 3.672 mortes

Pode consultar os Relatórios da Europol:

Nos anos 70 e 80 o número de vítimas de terrorismo na Europa foi incomparavelmente maior. Podemos ver os casos do Reino Unido e de Espanha por causa dos movimentos como o IRA, ETA, etc.
Em termos mundiais a maioria dos ataques terroristas ocorrem no médio oriente, norte de africa, Ásia e África subsaariana. Em 2017, na União Europeia morreram 142 pessoas vitimas de ataques terroristas, correspondendo a 1% em termos mundiais.
O que há de muito diferente entre os anos 70 e os anos 2018 são os media e a força das notícias. Nos anos 70 estávamos na era pré-internet, não havia tanta divulgação destes acontecimentos, apenas numa esfera mais local/regional. Nos últimos anos, com a chegada da internet e a diversidade de informação, a população consome muitas vezes informação não real, com omissão de factos, baseada em interpretações fabricadas e, muitas das vezes, destrutivas. É essencial verificarmos a informação que nos vai chegando.

Recomendamos a consulta (dados de 1970 a 2016) – https://ourworldindata.org/terrorism#terrorist-attacks

Voltar
Algumas pessoas temem que esteja em curso uma “invasão”, por estarem a entrar na Europa muitos refugiados. Isso não corresponde à verdade. Importa atender a números. Só a guerra da Síria produziu mais de 5,6 milhões de refugiados e 6,6 milhões de deslocados internos. Dos refugiados sírios, a esmagadora maioria está nos países vizinhos. O maior impacto de presença de refugiados acontece na Turquia (3,5 milhões), no Líbano (1 milhão) e na Jordânia (650.000).

A União Europeia, desde o início do conflito na Síria (2011), no seu conjunto de 28 países com 500 milhões de habitantes, recebeu até final de 2017, cerca de 1 milhão e trezentos mil sírios. Isto quer dizer que enquanto um país pobre como o Líbano tem mais de 15% da sua população residente com o estatuto de refugiado, a União Europeia tem nos refugiados sírios, neste momento, cerca 0,26% da sua população.

Dados Portugal:

Portugal até ao momento acolheu cerca de 1700 refugiados.
Isso significa, 0,017% da população portuguesa.
É um refugiado por cada 5882 habitantes.

Invasão? De modo nenhum. É um número totalmente insignificante para a dimensão populacional portuguesa.

A União Europeia acolheu de out de 2015 a abril de 2018 ao abrigo do programa de recolocação cerca de 34.694 refugiados (http://migration.iom.int/europe/), o que quer dizer menos de 0,007 % da sua população (https://europa.eu/european-union/about-eu/figures/living_pt).
Só o Líbano recebeu mais de 1 milhão de refugiados sírios, um número muitíssimo superior ao de toda a União Europeia, e que corresponde a um crescimento de cerca de 37% da sua população.

A Turquia recebeu cerca de 3,3 milhões de refugiados sírios, mais do dobro dos refugiados do que a União Europeia.
Portugal acolherá potencialmente 10.000 refugiados. Corresponde a 0,1% da sua população (1 refugiado por cada 1.000 habitantes).
É importante olhar para os números para entender melhor a questão. Dos 25,4 milhões de refugiados que foram registados pela ONU, em 2017, cerca de 172 mil refugiados tentaram encontrar um porto seguro às portas da Europa via mar mediterrâneo. A população europeia por sua vez é composta por 508.450.856 de cidadãos (https://europa.eu/european-union/about-eu/figures/living_pt), o que significa que mesmo que recebêssemos os 5,5 milhões de refugiados sírios, eles constituiriam apenas 1% da população europeia.

Quando falamos da Síria, estamos a falar de um país cuja diáspora no mundo é de 15 milhões de pessoas que se encontram, sobretudo, nos EUA, Canadá e Europa (Suécia, França e Alemanha) desde o século XIX, sem que haja notícia de que até à data tenham levado a cabo alguma tentativa malévola de que o Islão domine o mundo. Aliás, falamos de um país que até à data da eclosão desta sangrenta guerra era laico, onde conviviam em tolerância e paz grupos como os alauitas (uma antiga ramificação do islamismo xiita – 12%), os drusos (uma mistura de cristianismo, islamismo, judaísmo e outras filosofias – 3%), os curdos (um grupo muçulmano sunita – 9%) e outros. Viviam na Síria, também, cerca de 5 mil palestinianos, na sua maioria descendentes de refugiados da guerra árabe-israelita de 1948. Para além disto, existiam ainda 10% de cristãos naquele país.

“A melhor arma contra o medo e o ódio é a informação”. É essencial uma cultura de informação e educação para a paz, para a ação concertada na resolução de problemas.
Voltar
Quando um refugiado entra num país de acolhimento, traz consigo pouca coisa, e uma das coisas que não traz é o seu curriculum vitae nem os seus certificados de habilitações. Logo, torna-se muito difícil comprovar as suas habilitações e as suas competências profissionais.

A barreira linguística é outro entrave à sua integração. Para além do facto de desconhecer as regras de funcionamento do mercado de trabalho do país de acolhimento. Por isso, muitos refugiados acabam por ser integrados no mercado paralelo, precário, e a aceitar vagas de emprego menos sérias, que os portugueses não aceitariam.

Por outro lado, o IEFP possui ofertas de emprego que tem dificuldade em preencher, mesmo utilizando a sua base de dados de pessoas desempregadas, ofertas estas que acabam por ser preenchidas por refugiados.

Mas existem benefícios na integração de refugiados no mercado de trabalho que importa sublinhar. De acordo com a OCDE, mesmo quando os refugiados são apoiados pelo Estado português, esta verba é um estímulo ao consumo, já que este apoio financeiro é gasto em bens essenciais revertendo para a nossa economia.

E num relatório do FMI, a integração de refugiados no mercado de trabalho pode mesmo ter impactos económicos positivos e influenciar o crescimento do PIB a longo prazo, já que a sua integração, permite a oportunidade de contribuir para o nosso sistema económico através do pagamento de impostos e das suas contribuições para a segurança social.

Voltar